Estamos na era da adolescência?
por CarlaTenho uma amiga que diz: “não colocamos para fora nada que não tenhamos lá dentro”. Originalmente, ela se referia a pessoas bêbadas ou drogadas. Mas acho que a frase cabe bem no contexto das redes sociais da forma como foi abordado ontem, durante o último painel do evento Universo Totvs (*).
As redes sociais são sim uma novidade, mas nem tanto. Elas são aquela pausa para o cafezinho durante o expediente ou o happy hour de quinta-feira. Ou ainda aquela confraria de vinhos dos bacanudos da sua cidade. Portanto, elas são amplificadores de atitudes que já existiam. Com um qualitativo: tornam tudo maior e muito, muito mais rápido.
Até porque, pense bem: se tirarmos das pessoas o cafezinho, o happy hour, as confrarias e a televisão, o que estará no Twitter? O que vamos postar no Facebook e depois comentar, discutir, curtir?
O que acontece hoje é que esses grandes amplificadores das nossas atitudes e pensamentos estão nos deixando como adolescentes. Confusos, loucos por informação, por ter e fazer tudo ao mesmo tempo e mais, mais, mais… Mas onde está o critério? Quem indica o caminho a seguir nessa encruzilhada de informações?
É fácil perder a noção em meio a todas as possibilidades que a internet nos proporciona. Sem baliza, a rede abre cada vez mais janelas, que nos indicam outras visões e que nos levam a outras janelas. E sem critério, não conseguimos parar, fechar a porta, concluir. Por isso vemos muitos trabalhos, estudos e até relacionamentos que são iniciados e não terminados.
E aí voltamos à pergunta: quem dá o critério?
Numa empresa, por exemplo, cabe ao líder exercer essa função. Ele tem que assumir a postura de um xamã da tribo indígena. Sentado no centro da aldeia, esperar que os demais índios tragam as informações sobre o que está lá fora, na floresta. E a partir delas, com seu conhecimento e equilíbrio, oferecer à tribo os critérios, o balizamento e os méritos para o caminho que irão seguir.
Diante disso, uma vantagem da geração que tem mais de 35 anos – e que, portanto, vive a transição – é que ela tem referências passadas. Mas essa geração ainda deve aprender a aplicar essas experiências a esse momento. O líder deve, então, ser um grande processador.
Se fosse numa família, por exemplo, deveria ser o pai ou a mãe dos “adolescentes”. Não o permissivo, mas aquele que ouve e dá limites. E se o “adolescente” não seguir a regra, a baliza, cuidado: provavelmente o pai/mãe é que não está comunicando como deveria.
Um pouco assustador? Pense que a a adolescência é um período conturbado e repleto de dúvidas, mas também cheio de grandes emoções. E acaba!
(*) Texto feito com base no bate-papo entre Marcelo Tas (dispensa apresentações), o CEO da Totvs, Laércio Cosentino, Luli Radfahrer, phD em comunicação digital pela ECA-USP, e o psicólogo Cristiano Nabuco.


