Confesso que dei gargalhadas ao ler essa notícia. A mistura de “coisas” em busca de $$$ acaba gerando produtos bizarros as vezes. Estamos em 2010, computadores na palma na mão, e-mail pra todos que lados, redes sociais, twitter e por aí vai, a Panasonic lança o FAX TOUCH SCREEN! Humm, fazer anotações em uma tela de 5 polegadas enquanto o fax é enviado… Quem nunca pensou nisso antes?
A nota publicada na Info, deixa claro o objetivo de aproveitar a onda retrô para lançar o produto com alguma evolução. Evolução? O que evoluiu na minha opinião é o preço: $ 320,00.
Com as vendas em queda vertiginosa, os jornais buscam novas estratégias para continuarem a existir. No Japão, em vez de vender algum colecionável junto com o jornal – estratégia comum no Brasil – a solução encontrada foi bem inusitada: transformar o jornal num grande mangá. Uma idéia bem original, não dá pra negar. E que tem tudo a ver com a cultura japonesa.
O site do Neswmanga tá aqui. Tudinho em japonês, mas dá pra sacar qual é o espírito da coisa. E a notícia eu encontrei aqui.
Na Bélgica, uma academia especializada em defesa pessoal para a terceira idade não usou meias imagens para vender seu peixe. Uma coisa fica clara com esse anúncio… o crime não compensa!
A AmBev, para lançar a cerveja Brahma no Peru, resolveu vender Skol. Loucura, não? Ficou bizarro em um primeiro momento (e talvez em um segundo também), porque estamos acostumados com uma coisa e com outra, não com um Frankenstein das duas. Aconteceu no verão passado, mas não lembro de ter visto nada naquela época.
Fantasma? Pouco provável. A produção não foi barata para isso.
Chinelagem? Como disse, para nós brasileiros, em primeira instância sim.
Mas alguns comentários do vídeo me chamaram a atenção e têm lógica. Vamos lá…
Tem gente que gosta de Skol, tem gente que gosta de Antarctica, alguns preferem Brahma e quase ninguém encara uma Nova Schin. Resumindo, cerveja é uma questão de gosto – mas também de água. Este ingrediente faz toda a diferença no sabor de uma cerveja. Há vinte e poucos anos, a Antarctica era produzida aqui em Joinville (SC) e, dizem os que já bebiam naquela época, que ela era divina. Porém, se você tomasse uma Antactica de Garibaldi (RS), você… não, você não tomaria uma Antarctica de Garibaldi, acredite. Por isso, não existe muito esse lance de tal marca ser boa e tal marca ser ruim. A cerveja depende do lugar. Essa Quilmes que estão vendendo no Angeloni não chega aos pés de uma Quilmes bebida na Argentina. Cerveja depende principalmente de onde é produzida e de onde é bebida. Em Curitiba, o que mais vende é Kaiser. Dá pra acreditar? Enfim…
A Brahma é, provavelmente, a melhor cerveja da AmBev. Por isso foi escolhida para atravessar fronteiras e conquistar espaços em mercados do mundo todo. Lembram de alguns anúncios desse tipo? Brahma na Rússia, Brahma no Canadá etc. Agora, tem Brahma no Peru e a AmBev deve ter pensado “por que não utilizar na comunicação uma estratégia que deu muitíssimo certo aqui no Brasil? Por que não vender Brahma lá como a gente vendeu Skol aqui?”. E assim, a AmBev passou a utilizar no Peru o posicionamento da Skol aqui no Brasil, pois lá o target era o mesmo. Nesse papo de gosto, muita gente – inclusive eu – acha Skol uma cerveja aguada e sem graça, que possui uma força de marca absurda, mas está longe de ser uma boa cerveja. Skol é cool, só isso.
O fato tem explicação, mas não tem desculpa: ainda assim vai pro Whatahell.
Um lance que eu gosto muito na Propaganda é o fator cultural que está implicado não somente nas peças, mas principalmente nos seus objetivos. Hoje, eu recebi na newsletter do Lá Fora uma imagem da campanha “Quit the Spit” realizada em Nottingham, na Inglaterra. A singela advertência pede que as pessoas não cuspam umas nas outras e vem acompanhada de um aviso, informando aos passageiros dos ônibus e metrôs da cidade que aquele veículo possui um kit coletor de saliva, pela qual se pode identificar o DNA do “cuspidor” e levá-lo a julgamento.
E a coisa parece funcionar: Alan Harvey, de 26 anos, foi preso no meio deste ano por ter dado uma cuspidinha atrás do pescoço do motorista do ônibus. O fanfarrão Harvey não pagou a passagem, admitia o fato e ainda assim se recusava a deixar o ônibus. Depois de um tempinho batendo boca com o motorista ele resolveu deixar o veículo, mas não sem antes deixar a sua marca. A saliva foi coletada, o DNA identificado e quatro meses depois Alan Harvey foi condenado a 30 dias de prisão.
Esse é o típico post que corre o risco de ser antipático, mas eu prefiro isso e levantar uma reflexão do que apenas assistir em silêncio. A publicidade sempre foi palco de repetições, replicações e todo surto de déjà vu possível. Acho que isso acontece por uma série de razões, que vão desde a insegurança e a preguiça, mas também a um princípio básico da comunicação que é se fazer entender de imediato e quando uma forma é facilmente reconhecida ela ganha força nessa tarefa.
Mas tudo bem, o objetivo aqui é apresentar o mais novo flash mob da T-Mobile. O primeiro deles foi fantástico, aconteceu naquele metrô em Londres e foi uma febre no mundo inteiro. Depois, foram a uma praça e colocaram milhares de pessoas em Trafalgar Square para cantarem Beatles e outras músicas. Maravilha, maravilha. Aí chega o ponto crítico da coisa: saber a hora de parar. Reconhecer isso não é fácil, mas acho que é fundamental para manter a reputação de alguma iniciativa. Eu já não tinha gostado muito daquela do Black Eyed Peas (tudo bem que o objetivo era outro e nem era da empresa telefônica), mas essa aqui embaixo, feita novamente pela T-Mobile em uma praia de Sidney, foi o fim.
Tudo é previsível, 95% das pessoas sabem exatamente o que vai acontecer, todas estão ali esperando só o “go” das coordenadas. Se você observar a versão no metrô, verá que a surpresa é um fator fundamental no sucesso da ação e na força da energia que ela emana. E isso acontece em duas instâncias: a surpresa de quem não sabia nada e a surpresa de quem sabia que algo ia acontecer, mas não sabia o quê. Agora não, agora os flash mobs da T-Mobile viraram uma piada que todo mundo sabe o final, mas eles ainda preferem contar, só para colocar no Youtube depois.
Mas é só a minha opinião. Um flash mob pode ser ótimo para a sua campanha, basta que ele seja relevante dentro daquele contexto e você saiba exatamente o que quer com ele. Pense em uma nova forma. Arrisque, questione, modifique e invente algo diferente. Inovação não é sinônimo de tecnologia.