A onda da T-Mobile
por FernandoEsse é o típico post que corre o risco de ser antipático, mas eu prefiro isso e levantar uma reflexão do que apenas assistir em silêncio. A publicidade sempre foi palco de repetições, replicações e todo surto de déjà vu possível. Acho que isso acontece por uma série de razões, que vão desde a insegurança [...]
Esse é o típico post que corre o risco de ser antipático, mas eu prefiro isso e levantar uma reflexão do que apenas assistir em silêncio. A publicidade sempre foi palco de repetições, replicações e todo surto de déjà vu possível. Acho que isso acontece por uma série de razões, que vão desde a insegurança e a preguiça, mas também a um princípio básico da comunicação que é se fazer entender de imediato e quando uma forma é facilmente reconhecida ela ganha força nessa tarefa.
Mas tudo bem, o objetivo aqui é apresentar o mais novo flash mob da T-Mobile. O primeiro deles foi fantástico, aconteceu naquele metrô em Londres e foi uma febre no mundo inteiro. Depois, foram a uma praça e colocaram milhares de pessoas em Trafalgar Square para cantarem Beatles e outras músicas. Maravilha, maravilha. Aí chega o ponto crítico da coisa: saber a hora de parar. Reconhecer isso não é fácil, mas acho que é fundamental para manter a reputação de alguma iniciativa. Eu já não tinha gostado muito daquela do Black Eyed Peas (tudo bem que o objetivo era outro e nem era da empresa telefônica), mas essa aqui embaixo, feita novamente pela T-Mobile em uma praia de Sidney, foi o fim.
Tudo é previsível, 95% das pessoas sabem exatamente o que vai acontecer, todas estão ali esperando só o “go” das coordenadas. Se você observar a versão no metrô, verá que a surpresa é um fator fundamental no sucesso da ação e na força da energia que ela emana. E isso acontece em duas instâncias: a surpresa de quem não sabia nada e a surpresa de quem sabia que algo ia acontecer, mas não sabia o quê. Agora não, agora os flash mobs da T-Mobile viraram uma piada que todo mundo sabe o final, mas eles ainda preferem contar, só para colocar no Youtube depois.
Mas é só a minha opinião. Um flash mob pode ser ótimo para a sua campanha, basta que ele seja relevante dentro daquele contexto e você saiba exatamente o que quer com ele. Pense em uma nova forma. Arrisque, questione, modifique e invente algo diferente. Inovação não é sinônimo de tecnologia.


Pois é, Fer. Acho que você disse bem: preguiça e insegurança…
O “simples” Flash Mob virou o “simples” anúncio página dupla, outdoor com aplique, vt de 1 minuto…
Apenas um formato pré-definido e repetido a ponto de reduzir significativamente sua atratividade. Não vou estranhar se logo as agências começarem a apresentar sistematicamente “Flash mob” como categoria do Plano de Mídia para os seus clientes.
Mas antes de criticar a T-Mobile, que conseguiu conquistar o mundo com sua originalidade e irreverência a ponto de construir uma marca fortíssima, temos que pensar quantos “simples flash mobs” não estamos diariamente fazendo no nosso trabalho…
Inovar é necessário, mas é foda. Foda pra caralho.
Desculpe os termos.
Abração e muito sucesso por aí!
Que a Força esteja com vocês…
Ps: Escreve mais sobre Neuromarketing. Foi o post mais bacana que rolou!
Chego a conclusão de que sunga vermelha tá na moda!
Pois é, Dudu. O risco que toda inovação corre é virar panacéia para toda situação difícil ou qualquer futilidade “criativa”. Aí vira senso comum, aí já começam as especulações de chupada etc. Aí já aparece um professor falando que “a gente pode fazer um flash mob na câmara dos vereadores e bla bla bla” ou como disse o Ramiro esses dias, criar um “perfil fake” no Twitter.
Tem muita gente repetindo e pouca gente criando. Tudo bem, todo mundo sabe que na maioria das vezes “nada se cria, tudo se copia” e bla bla bla, mas o problema é que o mercado é globalizado e tem muita gente boa, que deveria estar indo contra essa premissa burra. Pegue uma referência A e misture com uma percepção B do seu contexto. Depois faça isso de novo, experimente coisas novas… arrisque, deixe-se correr o risco de acertar em cheio… ou errar. Tudo bem, é assim mesmo.
E não se desculpe por nada, não. Fique à vontade e obrigado por participar.
Abraços,
Ah, e a praia de Bondi Beach (desculpe o pleonasmo poliglota) é o lugar dos meus sonhos!
Ainda vou passar um verão lá… e não garanto que volto.